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INSTABILIDADE GLENOUMERAL


A LUXAÇÃO de uma articulação ocorre quando as superfícies articulares ficam completamente separadas uma das outras, de modo que se perde toda a aposição.

A SUBLUXAÇÃO ocorre quando as superfícies articulares são parcialmente separadas, mas ainda fica alguma parte de cada superfície em contato.

Para finalidades práticas as luxações do ombro podem ser agrupadas em dois tipos principais: ANTERIOR E POSTERIOR. A luxação anterior é muito mais comum.

 

MECANISMOS DE LESÃO

A maioria das luxações ocorre através de uma força indireta aplicada através do braço.

As luxações anteriores são produzidas por uma rotação externa e/ou hiperextensão, aplicadas ao ombro que já está em aproximadamente 90o de abdução, no extremo da rotação externa, e em graus variáveis de extensão. A causa quase sempre é uma queda sobre a mão espalmada ou sobre a própria região do ombro. Na maioria dos casos, a cabeça do úmero é luxada através de uma rotura capsular e fica alojada na região subcoracóidea, raramente na subclavicular ou intratorácica.

As luxações posteriores geralmente são subacromiais, embora possam ocorrer luxações subglenóideas ou subespinhosas posteriores. O mecanismo da lesão é geralmente uma força aplicada ao úmero combinando flexão, adução e rotação interna, como ocorre em uma queda sobre a mão espalmada estando o cotovelo estendido. Quando a luxação é posterior, pode haver uma história de trauma direto na parte anterior do ombro forçando a cabeça do úmero para trás. Mais freqüentemente, no entanto, a luxação posterior é conseqüência de um choque elétrico ou de uma convulsão de epilepsia que talvez atue como causa para uma rotação medial forte.

 

CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS

Luxação Anterior – A dor é intensa, e o paciente resiste às tentativas de movimentos do ombro. Ao exame, o contorno do ombro abaixo do ápice do acrômio – normalmente bastante convexo pela proeminência da cabeça do úmero – está aplanado, de maneira que o ápice do acrômio está no ponto mais lateral da região do ombro. Pode-se notar e sentir uma proeminência acentuada na fossa intraclavicular causada pelo deslocamento da cabeça do úmero. As radiografias mostram que o contorno da superfície articular umeral não está congruente com a superfície articular da fossa glenóide.

Luxação Posterior – As características de uma luxação posterior do ombro não são muito evidentes, e por esta razão a lesão quase sempre passa despercebida. Um sinal evidente é a rotação medial fixa do braço, que não pode ter movimentos para fora nem mesmo até à posição neutra. Há também um aplanamento anterior abaixo da porção anterior do acrômio onde a cabeça umeral normalmente forma uma proeminência arredondada. As radiografias podem ser enganosas se apenas a incidência antero-posterior comum for analisada, pois a luxação pode não estar aparente, ou pelo menos óbvia, nesta incidência.

Se a luxação é traumática, os sintomas são os de dano tissular, sangramento e inflamação resultante.

 

TESTES IMPORTANTES

Teste do Sulco – Demonstra o grau de lassidão inferior, é tido como um teste do ligamento glenoumeral superior e do ligamento coracoumeral. Este é um teste de estabilidade de amplitude média, ou seja, de volume capsular.

Testes de Apreensão (Relocação) – São provocativos, de tal forma que tensionam as estruturas ligamentares envolvidas na posição da instabilidade, confirmando conceitualmente a instabilidade no final do movimento.

 

COMPLICAÇÕES

Lesão do Nervo Axilar – È mais provável ocorrer em uma luxação anterior que na posterior e resulta em paralisia do deltóide e perda da sensibilidade em uma pequena área na região lateral do braço. Ocasionalmente, outros ramos do plexo braquial ficam lesionados, especialmente o tronco posterior.

Lesão Vascular – Na luxação anterior, a cabeça umeral luxada pode ocasionalmente lesar a artéria axilar, especialmente se o vaso está ateromatoso; ou a artéria pode ser lesada durante tentativa tardia de redução de uma luxação que passou despercebida.

Fratura Associada – A luxação pode ser acompanhada por fratura do tubérculo maior.

Luxação Recidivante – Com frouxidão ligamentar e capsular significativa, podem ocorrer luxações ou subluxações recorrentes unidirecionais ou multidirecionais com qualquer movimento que reproduza as forças de abdução e rotação externa ou de flexão, adução e rotação interna, causando dor significativa e limitações funcionais. Alguns indivíduos podem luxar voluntariamente seu ombro anterior e posteriormente sem perigo e com mínimo desconforto.

 

COMPROMETIMENTO E PROBLEMAS COMUNS

- Dor aguda, proteção muscular e efeitos da inflamação

- Desequilíbrios entre comprimento e força nos músculos

- Quando uma luxação está associada com ruptura completa da bainha rotadora, há inabilidade para abduzir o úmero contra a gravidade, exceto na amplitude dada pelos músculos escapulotorácicos

- Restrições/hipermobilidades articulares assimétricas. Em uma instabilidade anterior, a cápsula posterior pode ficar retraída; em uma instabilidade posterior, a cápsula anterior pode ficar retraída. Após a cicatrização ode haver adesões.

 

LIMITAÇÕES FUNCIONAIS E INSTABILIDADES COMUNS

- Com ruptura da bainha rotadora, inabilidade para alcançar ou erguer objetos até o nível horizontal, interferindo com todas as AVD’s que usam elevação do úmero

- Possibilidade de recorrência quando é feito novamente o movimento que provocou a luxação

- Com luxação anterior, habilidades restritas em atividades esportivas como natação, saque (tênis e vôlei), bloqueio (vôlei)

- Habilidade restrita, particularmente quando são necessários movimentos acima da cabeça ou de abdução horizontal, para vestir-se, por exemplo para colocar uma camisa ou casaco, ou para os cuidados pessoais, como para pentear os cabelos atrás.

- Desconforto ou dor ao dormir sobre o lado envolvido em alguns casos

- Com luxação posterior, habilidade restrita em atividades esportivas, habilidade restrita em atividades que exijam empurrar, como para abrir uma porta pesada ou para levantar-se de uma poltrona ou sair da piscina pela margem.

 

 

BROWN, David E. e NEUMANN, Randall C. Segredos em Ortopedia. 1a. ed, Porto Alegre: 1996.

 

THOMSON, Ann, SKINNER, Alison e PIERCY, Joan. Fisioterapia de Tidy. 12a. ed. Sao Paulo: Santos, 1994.

 

KISNER, Carolyn e COLBY, Lynn A. Exercícios Terapêuticos: fundamentos e técnicas. 3a. São Paulo: Manole, 1998.

 

ADAMS, John C. e HAMBLEN, David L. Manual de Fraturas. 10a. ed. 1994.

 

Autoras:DANIELA SIMONI ESPINDOLA

        MICHELA BATTISTI ARCHER

        RAFAELA SPREDEMAN

UDESC - Universidade do Estado de SC - Brasil

 
 


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