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Bursites do Quadril


Ana Paula Souza da Silva* (paula_souza2002@yahoo.com.br)

Luana Valéria dos Santos Blois* (tazoblo@yahoo.com.br)

* Acadêmicas do 4º ano de Fisioterapia da UEPA

 

I - CONSIDERAÇÕES INICIAIS:

Conforme Thompson (1994) bursite é a inflamação de uma bolsa sinovial, sendo esta bolsa um saco membranoso revestido por células endoteliais. Ela pode ou não está em contato com as membranas sinoviais das articulações. A bursite nas imediações do quadril pode ser extremamente dolorosa e incapacitante. As bolsas sinoviais do quadril estão localizadas em áreas de deslizamento dos tecidos, onde funcionam amortecendo os choques. Em resposta aos traumas agudos ou ligados a solicitação exagerada, essas bolsas podem aumentar de tamanho, provocando dor aguda.

Foram descritas aproximadamente 18 bursas no quadril. Apenas três são de importância: a trocanteriana, a iliopectínea e a isquioglútea ou isquiática. Para Turek (1991) as bursas são referidas como sendo fisiologicamente relacionadas às bainhas tendinosas e membranas sinoviais, estão sujeitas a patologias semelhantes, tais como inflamação traumática, infecção, sinovioma e gota. A bursite geralmente é uma inflamação por excesso de uso ou pressão, que se alivia com o repouso, eletroterapia, sendo os corticóides raramente necessários.

 

II - ETIOLOGIA

Ocorrem alterações inflamatórias agudas. A inflamação crônica pode surgir com pequenos traumas de repetição. A obesidade em uma pessoa de 50 ou 60 anos de idade ou em um paciente com artrite é um fator de risco para a bursite peritrocanteriana, devido a sobrecarga a que está submetida a articulação.

 

III - DESCRIÇÃO DAS BURSAS

1. Bursa Trocanteriana

Segundo Saudek (1993) esta bursa localiza-se entre o tendão do glúteo máximo e a proeminência póstero-lateral do trocanter maior. Petit (2001) refere que esta bolsa do grande trocanter é afetada com maior freqüência, ela é irritada, muitas vezes, devido:

­- O atrito da fáscia iliotibial encurtada, por meio da inserção do músculo glúteo médio ao deslizar sobre a parte externa da coxa durante a marcha. A fáscia iliotibial move-se anteriormente com a flexão e posteriormente com a extensão. Quando esta flexibilidade está comprometida, o resultado pode ser a irritação da bursa do trocânter maior;

­- O excessivo desgaste no calcanhar na região póstero-lateral que resulta em um aumento da supinação no toque de calcanhar, que é transmitido proximalmente à superfície lateral da perna. Este aumento da tração sobre o músculo glúteo máximo pela banda iliotibial é a causa lógica da bursite trocantérica conforme explica Sudek (1993);

­- O deslocamento excessivo da pelve no plano horizontal, consecutivo ao comprimento desigual dos membros inferiores causa uma inclinação anormal levando a um desequilíbrio, à marcha Trendelenburg devido a fraqueza no músculo glúteo médio ou mesmo corrida com um pé sobre uma superfície mais baixa do que a outra, , que pode irritar a bursa do trocânter maior;

­- Corrida em terreno irregular (sobre uma superfície arenosa).

Kisner (1998) refere que a dor é experimentada sobre o quadril lateralmente e possivelmente descendo lateralmente pela coxa até o joelho onde o trato iliotibial faz atrito com o trocânter. O início é insidioso e os pacientes queixam-se de dor durante a deambulação, ou quando tentam cruzar as pernas na posição sentada, ou ainda deitado sobre o lado acometido. A dor aumenta gradativamente, especialmente se as atividades não são diminuídas. O quadro se agrava nas atividades da vida diária como subir escadas, que resulta em uma forte contração do músculo glúteo máximo e pressão sobre a bursa comprometida.

Pode ser sentido desconforto após ficar em pé assimetricamente por longos períodos com o quadril afetado elevado e aduzido e a pelve caída sobre o lado oposto.

Ao exame clínico o paciente refere dor nesta região à palpação além de aumento da temperatura e as vezes não consegue permanecer deitado muito tempo sobre o lado afetado. Para Thompson (1994) a mobilidade está preservada, porém dolorosa à flexão e rotação interna.

O sinal de observação muitas vezes é positivo, e os músculos de abdução apresentam fraqueza muscular, visto que a abdução contra resistência e ocasionalmente a extensão contra resistência serão dolorosas. Finalmente, a contração isométrica da musculatura periarticular será indolor, confirmando assim a ausência de comprometimento tendinoso.

 

2. Bursa Ilíopectínea

Turek (1991) a descreve como a maior e mais constante bursa do quadril fica entre o músculo iliopsoas anteriormente e a eminência iliopectínea posteriormente. Está situada lateralmente aos vasos femorais e sobrejacente à cápsula do quadril. Quando está inflamada, a dor está na porção do tríogono femoral (virilha), algumas vezes o edema é suficiente para obliterar o canal inguinal. A irritação do nervo femoral causa dor referida ao longo da porção anterior da coxa até a superfície superior interna da perna.

Para Kisner (1998) é possível que a dor seja ainda referida na área patelar. A contração do iliopsoas, na flexão do quadril ou por estiramento muscular na extensão do quadril aumenta o quadro doloroso. Sudek (1993) afirma que esta bursite está comumente associada a osteoartrite de quadril bem como tensão do iliopsoas.

 

3. Bursa Isquioglútea ou Isquiática

Esta bursa fica situada sobre a tuberosidade isquiática e torna-se inflamada nos profissionais que precisam de uma postura sentada prolongada. Segundo Kisner (1998) a dor é sentida ao redor das tuberosidades isquiáticas, especialmente na posição sentada. É facilmente palpável em decúbito lateral com o quadril fletido ou em posição prona, com a perna acometida na posição de rã. A dor geralmente se irradia para os músculos-tendões. O paciente pode referir dor com a deambulação, ao subir escadas, e na flexão do quadril ou no tronco. Será doloroso sentar sobre o lado acometido e a prática comum de carregar carteira de dinheiro no bolso de trás pode agravar os sintomas. Se o nervo ciático adjacente está irritado devido edema, podem ocorrer sintomas de dor ciática.

A bursite isquiática é encontrada menos freqüentemente que a bursite trocantérica.

 

IV - TRATAMENTO

1. Fase aguda

Para Petit (2001) compreende os cinco a sete primeiros dias, durante os quais o tratamento será basicamente antiinflamatório. Estará indicado o repouso relativo, pelo que se pedirá ao paciente que reduza sua atividade e permaneça mais tempo no leito. Somente em casos mais agudos se aconselhará que utilize uma bengala para reduzir o peso sobre a articulação.

Será utilizada a eletroterapia de alta freqüência (microondas e ondas curtas) por ser de maior penetração, já que certas bursites se localizam profundamente. Além de ultra-som pulsátil em baixas doses. Sudek (1993) sugere no caso da bursite trocanteriana a utilização de crioterapia.

 

2. Fase crônica

Esta fase se inicia quando diminui a dor aguda (geralmente após uma semana) e termina com a total remissão do processo agudo. Serão mantidas as mesmas condutas antiinflamatórias da fase aguda até se completarem duas semanas de tratamento. Em caso de haver limitação articular (o que nem sempre ocorre) deve-se iniciar as mobilizações passivas.

Nos casos de bursite trocanteriana Petit (2001) sugere o alongamento dos tecidos, que por ventura apresentam contratura, como o músculo extensor da grande fáscia e iliotibial, assim como exercícios para aumentar a força dos abdutores do quadril massagem profunda para aumentar a flexibilidade da banda iliotibial. A correção do mau alinhamento com órtese para corrigir diferenças de comprimento dos membros inferiores ou falhas do mecanismo da marcha e dos erros de treinamento (superfície da corrida) costumam dar bons resultados.

Nos demais casos se houver uma diminuição da força muscular, o que ocorre sempre nos processos crônicos, deve-se iniciar a tonificação com exercícios resistidos e de facilitação neuroproprioceptiva.

Thompson (1994) refere que a aspiração onde a bursa constitui um problema pode ser uma boa solução, sendo que uma injeção de cortisona pode ser aplicada para reduzir a inflamação.

 

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

 

1. KISNER, Carolyn; COLBY, Lynn Allen. Exercícios Terapêuticos Fundamentos e Técnicas. 3° ed. São Paulo: Manole, 1998, p. 392 – 406.

2. PETIT, J. Díaz. Patologias de partes moles do quadril. In: GABRIEL, Maria R. Serra et al. Fisioterapia em traumatologia, ortopedia e reumatologia. Rio de Janeiro: Revinter, 2001, p.255 – 257.

3. SAUDEK, Christine E. O Quadril. In: Gould, James A. Fisioterapia na Ortopedia e na Medicina do Esporte. 2ª ed. São Paulo: Manole, 1993, p.345-390.

4. THOMSON, A. et al. Fisioterapia de Tidy. São Paulo, Livraria Editora Santos, 1994, p. 70 – 71.

5. TUREK, Samuel L. Ortopedia. Vol 2. São Paulo: Manole, 1991, p.1391 –1392.

 
 


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